03/09/2016

1957 - O ESTALEIRO DO BAIRRO DA ENCARNAÇÃO, E SUAS CONSEQUÊNCIAS !!!


Diz o Povo, e como sempre com razão, "de pequenino se torce o pepino" ou "o caminho faz-se caminhando" .......por terra ou mar. Esta "postagem" é um exemplo de uma fértil imaginação de um pai, que não se cansava de ocupar os filhos, divertindo-os, e divertindo-se............(não havia ATL !!!).  


Todos vós certamente ainda se lembram do dia 16-05-2009 em que divulguei neste nosso blogue, sob o título PRIMEIRA ESCOLA DE NATAÇÃO DO BAIRRO....(pode consultar para se recordar.), o sucesso que teve uma piscina construída pelo pai do João Cláudio, e as "engenhocas" construídas para aprendizagem da arte de nadar !. Entretanto,

Fui surpreendido há dias, com esta foto:






Tentei de imediato saber algo mais,.... pois nem mais nem menos........fiquei a saber que a tal piscina, também em tempos idos (já depois de a marinheirada saber nadar) também foi o "mar de baptismo" de um barco totalmente Nacional, construído nos "estaleiros" da Rua do Poço Coberto.

Foi assim que o João Cláudio, me informou, quando lhe perguntei o que era aquilo: 

"Foi o lançamento à água da dita piscina, de um barco que o meu pai construiu na garagem lá do quintal !


É claro que a bordo estou eu. Acho que tinha 12 anitos.  Deve ter sido o primeiro estaleiro naval da Encarnação !"

Assim foi de facto !

Parece tudo ter sido feito como mandavam as regra........Lançamento à água de um navio, requer pompa.......Relatando :  Hoje pelas x horas foi lançado mais um navio, que certamente enriquecerá a já rica frota Nacional, tendo o referido acto cerimonial contado com a presença, de diversos membros do Governo, e respectivas esposas (ao fundo), as madrinhas à esquerda. Destaca-se ainda a descontração do Engenheiro responsável,, convicto que a engenhoca flutua,, e ainda o confiante Comandante que irá com aquela e/ou  outras naus certamente percorrer mares já por outros navegados .


A partir deste momento tão simples, foi um nunca mais parar de sonhos e realidades concretizadas pelo João Cláudio e o Eduardo, atravessando o Atlântico, ganhando Regatas e mais Regatas.


Para resumir a história destes dois marinheiros, que se lançaram às águas num pequeno e artesanal tanque, vou dar a palavra ao marinheiro mais velho, o João Cláudio:   

   "Mais tarde, construiu este barco onde vou eu ao leme, a minha mãe atrás e o meu irmão à frente. O meu pai estava em terra 

para tirar a foto




O tempo foi passando e o vício ficou entranhado, logo...tinha de ser.......estava escrito.


"Mais tarde, o meu irmão e eu a andar em barcos de vela ligeira, mas maiores.





Em 1984, o meu irmão mandou construir no Barreiro o seu primeiro barco de cruzeiro, o Rinel. Teve-o durante quatro anos.
Em 1988  um Beneteau First classe 8, de fabrico francês.   Com ele ganhámos em 1993 a Volta a Portugal à Vela. Durante os oito anos em que nele andámos, vencemos bastantes regatas.
Em 1996 o meu irmão vendeu o First classe 8  e comprou o Allegro Vivace, um barco de fabrico alemão Dehler DB 1 de 33 pés (10 metros). Durante dois anos vencemos bastantes regatas e troféus, inclusivé um troféu Osborne em Puerto de Santa Maria ( Cádis)











Em 1998, vendeu o anterior e comprou em segunda mão este ( tal como os dois anteriores). É um Dehler 36 CWS (+- 11 metros) de fabrico alemão. É um barco mais cruzeirista mas que até hoje, nestes dezoito anos, nos tem dado inúmeras alegrias, quer em regata, quer em cruzeiro. Já fizemos viagens à Madeira e aos Açores, bem como voltas a Portugal (em 2013 ficámos em terceiro) e viagens anuais ao Algarve.



Em 2000 tivemos a oportunidade de atravessar o Atlântico, a bordo do barco de um amigo nosso.
Aqui a chegada a Salvador da Baía


A viagem foi feita a bordo deste barco."


E foi assim que um pai, sem grandes  sacrifícios, sabendo educar , brincando, soube fabricar, além de barcos, seres humanos exemplares e até hoje ocupados nos seus tempos livres, com uma actividade viva, dinâmica, audaz, salutar, cultural e sobretudo expectante ao enfrentar, por vezes o desconhecido.

"De repente, uma figura medonha apareceu: um ser disforme, um gigante, tinha um ar carrancudo, a barba suja e maltrada, os cabelos ásperos/crespos e cheios de terra, a boca escura e os dentes amarelos. .. O Gigante dirige-se aos marinheiros num tom de voz “grave e horrendo”, provocando-lhes grande temor, dizendo:
“Ó povo audacioso que não descansa, como ousas navegar estes mares, que nunca foram cortados por qualquer outro navio? Viestes descobrir os segredos marítimos? Pois desde já vos digo que os que tentaram antes de vós, pagaram com a vida. .......... Os vossos barcos hão-de naufragar e enfrentareis males de toda a espécie. O sofrimento será tal, que será preferível a morte. O primeiro ilustre que passar aqui ficará sepultado. Outros hão-de ver os filhos morrer de fome e eles próprios morrerão também.”
Então, Vasco da Gama, corajosamente, interpela o Gigante perguntando-lhe: “Quem és tu?” Ele começa, então, a relatar a sua história:
“Eu sou o que vós chamais Cabo das Tormentas.  ......................... jamais ousariam desafiar-me. Fui outrora um dos gigantes que guerrearam contra Júpiter, chamava-me Adamastor. ............................................................................................ E também os deuses me castigaram, pois estou rodeado de água, o que significa que Tétis anda sempre à minha volta.
” Terminado o discurso, Adamastor afastou-se, chorando .

Vasco da Gama agradece a Deus por terem chegado até ali e roga-lhe que não permita que se concretizem as profecias do gigante."

E ASSIM SE FEZ..............O João e o
 Eduardo lá vão galgando as ondas enigmáticas e salgadas.




6 comentários:

  1. BOA TARDE MIÚDOS.
    NÃO É DE CAUSAR ESPANTO AS GENTES DO NOSSO BAIRRO TIVEMOS GRANDES NOMES E VALORES, FOI UM GRANDE E BONITO BAIRRO, QUE TIVE O GRATO PRAZER DE SER MEU DURANTE 50 ANOS, FUI PARA O BAIRRO EM 56 E VI ACONTECER MUITAS COISAS A CONSTRUÇÃO DOS OLIVAIS SUL E NORTE, O BAIRRO DA QUINTA DO MORGADO, AGORA POUCAS VEZES VOU AO BAIRRO E QUANDO VOU ASSISTO COM TRISTEZA AO SEU DESAPARECIMENTO OU SIMPLESMENTE ABANDONO TOTAL DE GENTES E DE ENTIDADES OFICIAIS QUE FAÇAM COM QUE O NOSSO BAIRRO SE MANTIVESSE NO TOPO, COMO DANTES, AGORA VAMOS TER, NA TAL RUA DO POÇO COBERTO UM DOGPARK, ENQUANTO SE REALIZA UMA REQUALIFICAÇÃO DO BAIRRO QUE CADA VÊS ESTÁ MAIS DEGRADADO, GASTA-SE DINHEIRO NUM PARQUE PARA CÃES, GASTA-SE MAIS DINHEIRO NUM MIRADOURO PARA IR VER OS AVIÕES E EU PERGUNTO, ENTÃO E O NOSSO BAIRRO NÃO TEM DIREITO A NADA???? ESPERO MELHORES DIAS, E QUE NÃO DEMOREM, PORQUE A PACIÊNCIA JÁ ESTÁ A COMEÇAR A IR EMBORA, ABRAÇO A TODA A MIUDAGEM FIXE DO NOSSSO BAIRRO DA ENCARNAÇÃO.

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  2. Ao Eduardo e ao João Cláudio um grande abraço.
    E a história da lambreta?
    Abraço
    Carlos

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    1. Grande Carlos
      Aos anos que não sei de ti.
      Cá vamos andando, eu e o Eduardo.
      Fazemos por continuar a desfrutar das coisas do Mar e do rio Tejo!

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  3. É por tudo isto que tenho muito orgulho em ter morado no Bairro da Encarnação! Pais e miúdos activos, empreendedores, imaginativos, inteligentes, divertidos! Com mais ou menos posses, todos se divertiam com respeito, camaradagem (algumas partiditas, é claro)! ;) A persistência era um dom, nem que fosse para fabricar um carrinho de esferas, ou "abafar" o berlinde raro do outro!;) Obrigada Vasco pela publicação! Obrigada João Cláudio pela partilha das suas memórias! Bjs, Géna

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  4. MAIS UM EXEMPLO DA CAPACIDADE EMPREENDEDORA DAS GENTES DO NOSSO BAIRRO.POR ESTE BLOGUE JÁ PASSARAM ALGUNS TALENTOS NO DOMÍNIO DA PINTURA,CANÇÃO,TEATRO, ENTRE OUTRAS ACTIVIDADES DE
    REALCE.
    OXALÁ OUTROS SE APRESENTEM.
    ABRAÇO.
    FERNANDO HIPÓLITO

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  5. Fiquei surpreso com a existência deste maravilhoso espaço, onde os putos mais uma vez se podem encontrar, agora não mais no café modesto ou no central, mas aqui recordando enquanto o tempo deixa a nossa juventude.
    Eu morava na rua 18 nº 30, meus pais já ali moravam quando nasci e de lá sai para ir para a tropa e depois que regressei de Moçambique volvei a sair quando vim para o Brasil.
    Lembro de alguns amigos da infância: O Bruno que morva na rua das escolas, um puto pequenino que estava sempre a rir, o Cartaxo que trabalhava numa empresa que limpava e dava asistência a máquinas de escrever e a telefones, o João Leitão (sua irmã foi minha catequista) O Noel que morava na Alameda, mesmo em frente à paragem doa autocarros, a Geni que também morava na rua 18 e Manoel Romão e do Mendonça, que moravam na rua 22, do João que morava na esquina das escadinhas com a rua 20, da minha professora dona Possidônia e de tantos outros, tantos que fica dificil enumerar.
    Deixo aqui um grande abraço ao meu passado e a certeza de que em maio próximo vou rever tudo o que meu coração não esquece. lorvao@bardoportuga.com.br

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