11/01/2016

O CAFÉ CENTRAL




(o candeeiro e o telhado estão tortos....será que já queriam dizer algo??)
A última "postagem" no Blogue, foi uma referência a uma factura/recibo da Tendinha Preciosa, graças ao envio por parte do Zé Cruz,   
Todos nós lastimamos, que o comércio tradicional do Bairro e sobretudo o comércio do nosso tempo, tenha vindo a desaparecer.
Como sabemos......... 

A Tendinha da Preciosa fechou, mas outros tiveram semelhante sorte, pois que ;

O Lopes barbeiro, acabou
A Rosa do lugar já não existe
O Manel Galego já não faz carapaus fritos para acompanhar o copito de vinho
O Quim e o Zé do Talho, já não têm nem bifes nem dobrada
O Campanha deixou de fazer os pirolitos
A Mercearia da Jaquina foi-se, e com ela as postas de bacalhau demolhado
A Cabeleireira D Berta não faz caracóis
A Capelista Namorado já não vende elásticos nem colchetes
A Maria Luísa já não vende  panos de cozinha nem atoalhados nem tecido para fazer as batas para a escola, nem tão pouco livros escolares penas e ardósias.
O Paulo Sapateiro, já não põe remendos nas solas dos sapatos
O Préguinhos, já não prega as cardas nas botas
O João sapateiro já não coloca solas de pneu
O Xico da estância já não vende  lixívia nem cal nem ocre
O França barbeiro já não vai a casa nem está no jardim
A Casa Silva já não vende camisas gravatas, malhas e artigos finos.
Etc etc etc
O Atletico, e o CRP..finaram-se porque se .fundiram
A Esquadra da Polícia desapareceu
A C R G E (representante) foi-se
O Telheiro, foi comido pelo cavalo


 Com este rol de "coisas" que deixaram de existir no nosso bairro......é caso para reflectir sobre duas questões;

Primeiro : Afinal havia muita actividade no nosso tempo !
Segundo : O que resta de tudo isto são as nossas recordações  de juventude e a nossa eterna amizade


Apesar de tudo, ainda existem, Instituições que vão resistindo aos ventos da história, como são os casos que abaixo se relaciona:

A Padaria ainda faz pão, mas já não assa pargos !!
O Café Modesto, continua modesto, mas nós já não estamos lá.
A Drogaria Aeroporto, já não é  Aeroporto.
O Café Estrela,( antes Leitaria Pavoeiro) já não é do Amoke.
A Farmácia do Ascenso, já não é do Ascenso.
O Posto médico, mudou de sitio e de nome.


Quem não conseguiu resistir foi o  Café Central,antigo Café Timor, fechado durante muitos anos e que o saudoso Campos, que muito menino veio de longe para o Estrela, e acabou por ficar para sempre no Bairro,teve a coragem de o reabrir e mais tarde delegando nos seus filhos a condução do negócio, que por razões que só eles sabem cessou neste inicio de 2016.
Tenho pena que assim seja, porque se perde mais uma referência importante da juventude de todos nós. Quantas histórias não haverá para contar passadas neste local ?

Fiquei muito surpreendido quando tive conhecimento de tal facto.
Fui lá para ver.....está tudo a papel de jornal.... Enviei mensagem para o Miguel Campos, para nos fazer um pouco de "história" do Central.  Até agora não recebi resposta. Se ela vier publicarei. Até lá e para sempre ficará o nosso agradecimento à família Campos, por ter contribuído durante muitos anos para o ADN da juventude do Bairro. 

Nota: Peço desculpa por algumas omissões de outros estabelecimentos eventualmente também emblemáticos existentes no Bairro. 



6 comentários:

  1. É O PRIMEIRO CAFÉ DE REFERÊNCIA QUE FECHA NO BAIRRO DA ENCARNAÇÃO.LEMBRO – ME DO BILHAR NOVINHO NA CAVE,ONDE SE FIZERAM GRANDES PARTIDAS,E SE CIMENTARAM AMIZADES.FUI VER,JORNAIS TAPAM A MONTRA.NUM CANTO SUPERIOR ESTÁ COLADO UM JORNAL QUE TEM POR TÍTULO: - “ DESILUSÃO ? HÁ MAIS PROVAS PARA GANHAR”.
    ESPERO QUE REABRA.O CAMPEONATO AINDA NÃO ACABOU.
    ABRAÇO
    FERNANDO HIPÓLITO

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  2. Triste notícia para quem como eu tantas horas ali passei. Lembro-me do pavor do Vilaça, muito antes de se passar para o empreendimento dos frangos logo ao lado, quando me vias chegar com o Rui Andrade (Rua 19) e ao canto do balcão junto à porta dos sanitários, jogávamos às moedas, cada rodada um bagaço, provocando ao parceiro João Talete, empregado de mesa, vermelhidões suspeitas, discurso titubeante e enganos nos trocos. Escusado será dizer que o Campos a tudo assistia e embora contrafeito lá ia aviando os cálices, com o Talete a escorripichar às esconodidas.
    Bons tempos. É de facto uma pena,

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  3. Por favor não destruam o nosso BELO BAIRRO. Que saudades da nossa infância....Muitos abraços. Camané

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  4. Caro Amigo, mesmo que essas coisas todas faltem e algumas delas conheci na minha juventude. Ainda tenho um grande Amigo, no bairro, o Luís Gaspar, eu continuo a adorar este bairro. Se disser que em 90% dos dias e quando regresso a casa do emprego passo pelos Olivais e pelos Bairro da Encarnação. Tem de ser !!! É a saudade da juventude e de tempos passados aí. De tempos de desporto no Atlético da Encarnação. De imensas coisas que tornam este bairro maravilhoso e aprazível. Quis ir morar para aí quando saí de Alvalade, mas as casas estavam proibitivas e as que estavam para venda, muitas tinha de gastar mais uns milhares de contos a restaurá-las.

    Abraço

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  5. Boa tarde Vasco. Como sabes, mas relembro, quem te está a contactar é o filho mais velho do Zé do aeroporto, e estou a faze-lo precisamente, por causa do café central, aqui postado no blogue. Já era para te contactar à mais tempo, mas agora chegou a altura de o fazer. Tal como tu, fiquei de boca aberta ao ver tal notícia, pois a ultima vez que lá estive a lanchar, foi a 2 semanas antes do Natal, de quando uma visita aos amigos e amigas que ainda vou conhecendo, tais como a Aurora que mora na da R. 23 ( segundo prédio L.E.), e o filho do João sapateiro (aqui relembrado no blogue), que trabalhou na tap. Era no Central onde parava por uns momentos, aliás, o mais apetecível, já que o Estrela degradou-se, isto a minha opinião. E pronto, como dizes e bem, cada vez menos o Bairro não tem nada a ver com nosco, e quando desaparecerem as pessoas que menciono ou pouco mais, então só irei lá, o que se diz na gíria, de ano a ano e é se fôr; é uma pena. Ainda me lembro do Timor, aliás o Central estava praticamente igual, só houve o avanço das arcadas, e assim ter ficado maior. Como dizes, depois quando soubesses, se chegares a saber, claro, postavas o motivo, não é que tenha nada a ver com isso, mas uma curiosidade,do desaparecimento de mais um espaço da nossa geração.
    Deixo um forte abraço, e a conversa é sempre a mesma; gostava de estar contigo, mas se acontecer, talvez na loja do Fernando Perfeito, seria o local exacto.

    António Lourenço

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  6. A Elétrradiovisão de Armando Sousa Santos Rua circular note tam bem acabou

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